BREVE RELATO SOBRE UMA LONGA AUSÊNCIA
Pois é: em menos de um ano, tudo aquilo que eu levei décadas para conseguir foi perdido, assim, rapidinho. Cheque especial, cartão de crédito, crédito na praça, internet, TV a cabo, telefone, computador, 25 dias sem energia elétrica, tudo isso e muito mais numa seqüência que parecia não ter mais fim. Faltou grana para ônibus, metrô, faltou dinheiro para comida. Eu não sabia o que era a falta do básico, do essencial. Eu ainda não tinha vivido a humilhação que um nome sujo na praça proporciona.
Foi preciso enfrentar. Um dia de cada vez, sempre de acordo com as minhas possibilidades, e de acordo com as prioridades da minha família. Isso, talvez, o mais difícil: houve dias em que fui obrigado a negar coisas para minhas filhas, esposa, para poder continuar seguindo em frente. Dias, muitos dias, não sei quantas vezes. Tudo para conseguir levantar.
Por vezes, solucionado um problema, outro surgia no lugar. Um terror, uma vontade grande de desistir, mandar tudo à merda. Pela primeira vez os meus sonhos deixaram de ser importantes. Era preciso e urgente garantir o dia de hoje, se possível o de amanhã. Vida de curtíssimo prazo.
Passei a viver de negociar e renegociar as minhas dívidas. Conversei muito com gerentes e cobradores, pedi prazos maiores, juros menores, essas coisas às quais a grande maioria dos brasileiros está acostumada. Devo dizer que, aos poucos, a situação foi melhorando.
Hoje estou aqui novamente, usando um computador resgatado do túmulo, montado peça a peça, uma peça a cada mês, usando internet discada - mas usando! Houve momentos em que me senti fora do mundo, totalmente desinformado, absorvendo apenas as informações que a TV comum me enfiava goela abaixo. Acostumado à multiplicidade de informação que a internet proporciona, acabei tendo que me contentar com o Jornal Nacional. Horrível.
O bom desse período conturbado, porém, é que acabei aprendendo um bocado de coisas importantes. Consegui ver e experienciar os dois lados da vida. Neste momento ainda estou no buraco, mas saindo dele satisfatoriamente, aos poucos mas de maneira segura. Aprendi que o melhor remédio para o desespero é a paciência. E o trabalho, sempre, porque não sei ganhar a vida de outra maneira.
E, olha, se você quer saber, nem tudo nesse período foram perdas. Houve um ganho muito importante: a Fernanda, minha filha mais velha, ganhou nenê! Temos agora por aqui o Gabriel, meu neto (hehehe...).
No mais, fico por aqui agora tentando voltar às atividades normais. O país e o mundo não pararam, perdemos ridiculamente a Copa, e uma coisa eu sei: não quero ficar ao largo do que acontece. Não tenho vocação para telespectador passivo. Tenho muito o que gritar e este PPC!, graças a Deus, é o meu alto-falante. Vamoaí!!!
por PARREIRA às 2:59 PM ||||| Comente aqui!
Sábado, Julho 08, 2006
Demorô, mas acho que voltei.
Depois de quase um ano, mas ainda assim.
Em breve, porque quem parou fui eu. As besteiras & bobagens & patifarias todas continuam todas por aí.
Como sempre...
por PARREIRA às 9:35 PM ||||| Comente aqui!