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Terça-feira, Maio 20, 2008

o concerto de música antiga

Com o saco bem cheinho de tanta música eletrônica, de tanto tecno-pop e outros papos, Filó resolve (depois de tomar meia dúzia de refrigerantes por causa do calor) ir ao Teatro Municipal para um concerto de música antiga.
Instalado numa confortável e ridícula poltrona de veludo marrom, ele confere o programa: Il Trotto (século XII), Galharda (século XVI), Moteto Allá Psalite Cum Luya (sabe-se lá de quando), entre outras peças de equivalente antiguidade. Agora sim os meus ouvidos terão o merecido descanso – é o que ele pensa, antevendo o espetáculo.
No entanto, no mesmo momento em que os músicos (nada antigos, por sinal) ocupam o palco com suas flautas doces e violas da gambá, com seus alaúdes e tralhas do gênero, um desesperado Filó começa a suar frio por causa dos gases que se debatem em seu interior. Com medo do vexame, ele respira fundo, cobre a boca com as duas mãos mas nada disso é capaz de conter a força da natureza. Após um breve silêncio que parece durar mil anos, o palco é finalmente atingido por um ronco grave e demorado que se libera da terceira fila:
- ARRRRRRRRROOOOOOOOOOUUUUUUTOO!
Depois do intempestivo abalo sísmico, a Filó só resta mesmo uma única saída digna: meter-se embaixo da poltrona. Um dos músicos, porém, longe de se sentir ofendido, outra coisa não faz a não ser puxar os aplausos para a original e desconcertante performance, no que é seguido de perto pelos demais companheiros de ofício e também pela refinada platéia, que agora, refeita do susto, já consegue identificar no deselegante arroto remotos traços de uma sublime intenção musical.

in FILOBÔNIO FILÓ, em breve para o seu deleite





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